Amar é estar conectado

Por Andréa Mascarenhas

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Conexão – Essa palavra, tão utilizada nos dias atuais, é de extrema importância na educação dos filhos. A conexão entre a mãe e a criança precisa ocorrer desde o nascimento. Na amamentação, no olhar, no toque, no tom de voz, os pais precisam estabelecer conexão. Para aplicar a Disciplina Positiva, desde a troca da fralda, ao banho, ao passeio, em qualquer atividade realizada com a criança, é preciso conectar-se com ela.

Mas, “o que é conexão? Qual a sua relação com a educação da criança?” – perguntou-me uma mãe, iniciante na DP. Para melhor compreender o termo, vamos refletir um pouco no seu sentido literal. Conectar é ligar uma coisa a outra, com a finalidade de enviar comandos e receber respostas. Seja um sistema de conexão elétrica ou uma conexão de banco de dados, é preciso que estejam bem ativadas para funcionar. Se não há pontos conectados e bem concatenados, não há comunicação entre as partes. Uma conexão elétrica inadequada, por exemplo, pode causar várias respostas inesperadas e negativas: o aumento do consumo de energia, curtos circuitos etc., gerando consequências que vão desde o desligamento dos aparelhos e das estruturas aos incêndios e fatalidades.

 

O que que quero dizer com isso? Que uma criança precisa estar e sentir-se conectada para poder enviar respostas positivas a seus cuidadores. Que você precisa compreender a sua criança quando está chorando ou com birra; precisa perguntar-se e saber dela o que sente; precisa tocá-la, olhar dentro de seus olhos e sentir o que não vai bem. Precisa abrir canais de comunicação seguros com o seu filho; precisa importar-se com o amadurecimento da sua relação com ele. Precisa aprender a tocar os seus aspectos afetivos e psicológicos, e isso é bem mais amplo do que usar a experiência materna/paterna. Quando um ponto de conexão falhar, você precisa estar pronto a construir novos pontos e a reestabelecer o vínculo. Porque sem vínculo, tudo pode desabar. Muitas vezes você vai precisar até ouvir e decifrar um grito, e não será agradável aos seus ouvidos. Mas terá que admitir que o grito pode ter surgido de uma falha na conexão. Aquele “fio” que você nunca conseguiu colocar no lugar, porque lhe faltou tempo e disponibilidade. Ao ouvir o grito, talvez você precise também desprender-se da visão autoritária do “Você vai ver quem manda aqui” / “Criança não tem querer”, e chamar o seu menino ou menina delicadamente ao diálogo e à escuta.

 

“Seu filho não veio com botão de liga/desliga”; a maternidade não lhe prescreveu ‘a fórmula’, não lhe presenteou com um manual. Não há fios para se fazer uma ligação; o cordão umbilical já foi rompido. É necessário refazer o elo! Um elo que não envolverá, necessariamente, algo material. Se você o olhar perceberá o ponto certo de acesso, e é aí que se encontra a parte agradável da conexão. Você precisará chegar bem pertinho dele; precisará olhá-lo sempre nos olhos; precisará sentir o seu coração, sua respiração; entender suas necessidades e desejos; conhecê-lo a fundo.

Para isso, você precisará conhecer ‘a alma’ de seu filho. A propósito, você já conhece seu filho? Sabe como fazê-lo feliz? Você entende o que o deixa irritado e triste? Conhece o seu maior desejo? Alguma vez, já tentou ajudar a seu filho a realizá-lo? Nessa vida corrida e cheia de imprevistos, muitas vezes deixamos passar tantos momentos bons e tantas oportunidades de conhecermos e fazermos os nossos filhos felizes. Aquela viagem que pareceu tão bela pode ter sido um fracasso em conexão, se foi dada mais importância às malas, aos gastos, aos amigos. Quantas vezes, após um dia inteiro de trabalho, nos vemos observando os nossos pequenos e percebendo que não estamos acompanhando o seu crescimento e que perdemos tantos episódios de sua vida que gostaríamos de ter assistido e participado. Se queremos construir com eles uma relação saudável e respeitosa, precisamos aprender a nos conectar.

 

Como fazer essa conexão? Estando inteiro/a com seu filho e permitindo que ele esteja inteiro com você, expondo-lhe seus sentimentos sem constrangimento ou medo; compreendendo o seu filho, construindo momentos de qualidade com ele, curtindo as suas ‘artes’ e folias; dando a atenção que a criança ou o seu adolescente necessita, de acordo a cada fase do desenvolvimento. Em vez de reclamações diárias, aprenda a dialogar e a compreender as suas atitudes e anseios; aprenda a escuta, a observação constante, a interação empática.

 

Ao contrário do que muitos pensam, a melhor forma de garantir um futuro feliz ao filho não é presenteando-lhe com uma poupança recheada, para que não lhe falte nada material, mas oferecendo-lhe sua presença, acolhimento e amor, para que, na descoberta do mundo, aprenda a lidar com as questões da vida com segurança, persistência, autocontrole, determinação e autoconfiança. O acolhimento, o brincar juntos, o diálogo, o colo, o sorriso, o abraço são os mecanismos necessários para a construção de uma excelente conexão entre pais e filhos. Uma criança que se sente compreendida, amada, respeitada, receberá as mensagens a ela transmitidas muito mais tranquilamente e enviará as respostas com mais segurança. Conectar-se é simples, fácil e barato. Os pais não dependem de um provedor; não dependem de uma empresa de telefonia, nem modem, nem plano mensal. O único provedor e ferramenta que precisam é, sem dúvida, o amor.

 

 

Andréa Mascarenhas

 

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