Como ajudar seu filho a se alimentar de forma saudável?

10350609_676076165810262_5343478802898225523_n(Jan Andrade)

A alimentação saudável, assim como outros hábitos saudáveis, é adquirida pelas crianças por meio do exemplo. Uma família com bons hábitos alimentares e uma rotina tranquila para as refeições tem grandes chances de ter filhos que naturalmente aprendem a lidar de forma saudável com a comida.

O comportamento dos pais em relação à alimentação dos filhos pode influenciar de forma negativa ou positiva até a idade adulta. Crianças que foram forçadas, premiadas ou coagidas, tendem a desenvolver aversão aos alimentos apresentados dessa forma.

A base para iniciar uma alimentação saudável é ter informações atualizadas sobre o que é importante para a alimentação infantil desde o início. Sabemos hoje que o bebê tem contato com sabores já dentro da barriga da mãe e também que o sabor do leite materno se modifica de acordo com a alimentação da mãe, por isso podemos dizer que a educação alimentar começa desde a barriga.
A idade recomendada para iniciar a introdução dos sólidos é de seis meses. Não sendo indicado antes disso por várias razões: alimentos sólidos não são tão bem concentrados com nutrientes e calorias como o leite materno ou fórmula; bebês tem o estômago pequeno e precisam de uma fonte concentrada de nutrientes e calorias que seja de fácil digestão, para um crescimento saudável; alimentos sólidos passam pelo sistema digestivo do bebê sem ser bem absorvido, e o bebê fica saciado sem estar verdadeiramente nutrido; bebês alimentados antes da idade recomendada têm mais propensão a ter infecções e alergias.

O leite materno será a principal fonte de nutrientes até um ano, por isso, nessa fase, quando o bebê cospe, brinca e parece não estar comendo nada do que lhe foi oferecido, não é momento para pânico. A introdução da alimentação sólida deve ser feita de forma gradual e sempre respeitando os sinais de saciedade do bebê, é preciso confiar na capacidade dele de reconhecer as próprias necessidades, inclusive a saciedade. Afinal, ele tem feito isso desde que nasceu, não é mesmo?

Saber a hora de parar de comer é um fator chave para evitar a obesidade e manter o peso certo para o seu corpo, mas muitas crianças e adultos são incapazes de fazer isso. A comida está relacionada a cuidado e amor e podemos nos sentir rejeitados quando nossos filhos recusam a comida que preparamos para eles. Essas expectativas e sentimentos podem nos levar a persuadir a criança a comer mais do que necessita, iniciando aí um ciclo vicioso, que levará a obesidade na idade adulta.

Quando seu filho recusar algum alimento, não faça disso uma batalha. A maioria das brigas em torno da mesa não é de uma criança se recusando a comer, mas de adultos insistindo para que a criança coma. Deixe que a criança se sirva dos alimentos postos à mesa para a família e volte a oferecer o alimento recusado de outra forma em uma outra refeição. É provável que ele aceite o mesmo alimento feito de outra forma (uma cenoura pode ser servida crua, cozida, misturada no purê de batatas, ralada no arroz, por exemplo), em vez de associar esse alimento a um momento desagradável e a recusa se tornar aversão. Crianças pequenas que ainda não tem total controle da motricidade fina gostam de usar as mãos para comer. Um estudo publicado pela British Medical Journal concluiu que bebês que comem com as mãos tem mais probabilidade de se alimentar de forma mais saudável*. Apresentar os alimentos em tamanho e textura que a criança consiga segurar e levar a boca, proporciona maior liberdade e autonomia para a criança e maior interesse pela comida, e não se preocupe, ela irá usar os talheres quando estiver preparada. Uma criança que aprende a controlar a própria saciedade pode ter grandes variações no seu ritmo alimentar, pesquisas mostram que crianças desde muito pequenas evitam instintivamente alimentos que lhe causam alergia. Se você oferece uma boa variedade de alimentos nutritivos e saudáveis, confie na capacidade que seu filho tem de reconhecer a sensação de saciedade e seu instinto.

– Inclua seu filho nas atividades ligadas à alimentação:

Quando já estiver maior, peça ajuda para preparar os alimentos, lavar, separar, misturar, servir a mesa. Deixe uma cadeira ao lado da pia para que ela possa observar e ajudar sempre que possível. A criança gosta de se sentir incluída em todas as atividades familiares, na hora da alimentação não é diferente. Levar as crianças para feiras alimentícias, que diferentemente dos grandes supermercados, não são cheias de estímulos e alimentos não saudáveis, é uma atividade ótima para educação alimentar. Mostrar cada fruta e legume diferente, ensinar o nome e como se prepara, deixar que a criança escolha suas frutas preferidas é um ótimo estímulo para escolhas mais saudáveis no dia a dia. Permita também a participação das crianças na hora de decidir as refeições, dê opções possíveis e razoáveis e faça concessões, se o pedido for substituir o arroz pelo purê de batata, por exemplo, não é um pedido que trará grandes mudanças no valor nutricional da refeição, nem um pedido impossível (a não ser que você não tenha batatas nesse dia.)

– Seja coerente:

Quando ninguém na família tem o hábito de comer frutas e legumes, ou sentar-se à mesa para as refeições, não é coerente exigir isso da criança. Lembre-se sempre que a principal ferramenta da educação é o exemplo. Aproveite para mudar os hábitos de todos na casa, nunca é tarde para uma reeducação alimentar.

– Não supervalorize a sobremesa – prêmios, chantagem ou ameaças incentivam uma relação não sadia com a comida:

Nunca diga frases como: “Só vai ter sobremesa se comer tudo”,“Se comer tudo vamos ao parquinho”, “Tanta gente passando fome e você joga comida fora.” Todas essas frases e mais tantas outras que tentam coagir a criança a terminar de comer tudo o que foi colocado em seu prato não respeitam um princípio básico, que é a de dar autonomia para a criança decidir quando já está satisfeita. A criança não aprende a regular a sensação de saciedade e passa a comer sempre mais do que realmente necessita ou tem o efeito contrário de causar aversão, o que pode levar a distúrbios alimentares e/ou obesidade no futuro. Se seu filho está se desenvolvendo normalmente e não adoece com frequência, ele está se alimentando de acordo com suas necessidades. Se está sobrando muita comida no prato, que tal reavaliar se a quantidade servida é mesmo adequada?

Se as dificuldades são muito grandes, seu filho adoece e não está dentro da curva normal de crescimento, não hesite em procurar ajuda profissional.

Referências
Saúde da criança: nutrição infantil. Caderno de atençãobásica n° 23 Ministério da Saúde

Baby Led Weaning – How to help your baby love healthy food

*http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/afp/2012/02/07/bebes-que-comem-com-a-mao-sao-mais-propensos-a-ter-peso-saudavel.htm

#crescersemviolencia

Anúncios
Esse post foi publicado em Disciplina positiva /gentil e marcado , , , . Guardar link permanente.