9 RAZÕES PORQUE VOCÊ DEFENDE BATER EM CRIANÇAS

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“É sábio direcionar sua raiva aos problemas – não às pessoas, para concentrar suas energias em respostas – não em desculpas.” William Arthur Ward

Após postar um post em meu blog intitulado “8 Razões porque você não deveria bater em crianças” eu recebi uma tonelada de comentários no Pinterest. Achei estranho, pois quem comenta no Pinterest? Os comentários variavam entre os de apoio até os mais maldosos. Então, eu fiquei curiosa para entender por que as pessoas defendem tão agressivamente a palmada. Fiz uma pesquisa e essas foram minhas conclusões:

UM

Você apanhou quando era criança. “Eu apanhei e hoje estou bem.” Esta é resposta mais comum dos pais que querem justificar porque batem nos filhos. O problema com esta lógica é que a pessoa que está “bem” não defenderia palmadas de qualquer tipo. É uma ação bárbara e agressiva. Seja a palmada no braço, no rosto ou no bumbum, ela provoca dor. Esteja a mão aberta ou esteja o punho fechado, ela machuca. Uma pessoa que justifica infligir dor a uma criança inocente não está, sob aspecto psicológico, “bem”.

“Apenas porque um adulto bem ajustado apanhou quando criança, não significa que bater seja um ato inofensivo. Eu não poderia dizer ‘Fumei minha vida toda e estou bem’. Isso não significa que fumar não fará mal a você.” (Murray Straus, PhD, professor de sociologia e codiretor do Laboratório de Pesquisas da Família da Universidade de New Hampshire.)

DOIS

Tendo sido uma criança que apanhou, admitir que bater provoca danos é admitir que você tem problemas.

 A verdade é que, provavelmente, você tem. Talvez seja difícil admitir, mas não torna isso menos verdadeiro. Estudos longitudinais provaram que bater provoca agressividade, entre outras coisas. Com o tempo, a agressividade cresce. (Talvez por isso os comentários defendendo a palmada tenham sido odiosos e agressivos). Na realidade, bater (dar palmadas) pode causar diversos problemas mentais.

 “O castigo físico está ligado a problemas mentais tais como depressão, ansiedade e uso de álcool e drogas. Há evidências, através de exames neurológicos com imagens, de que o castigo físico pode alterar partes do cérebro que envolvem a performance em testes de QI bem como na probabilidade de abuso de substâncias. Há também dados recentes de que bater pode afetar áreas cerebrais envolvidas nas emoções e na regulação do stress.” (Bonnie Rochman, Time.com)

 TRÊS

 Você acha que bater funciona. A curto prazo, a palmada parece funcionar. Ela pode parar um comportamento indesejado imediatamente. No entanto, a longo prazo é de longe a forma de disciplina menos eficaz usada pelos pais. Pois ela não ensina o comportamento desejado. Ela faz com que a criança minta ou manipule, a fim de evitar o castigo físico.

 “A criança que se sente bem age bem. Bater subestima este princípio. Uma criança que apanha sente-se mal por dentro, e isto transparece no comportamento externo. Quanto mais ela se comporta mal, tanto mais ela apanha, e pior se sente. O ciclo é vicioso. Nós queremos que nossos filhos saibam o que fizeram de errado e sintam remorso, mas ainda assim acreditem que são pessoas de valor” (AskDrSears.com)

 QUATRO

 Você acha que está ensinando ao seu filho sobre as consequências.

Não necessariamente. Bater ou dar palmadas não é uma consequência no mundo real. Como adultos, não apanhamos quando infringimos a lei ou dizemos uma mentira. Como pais, não estamos ensinando aos nossos filhos sobre como funciona o mundo de verdade. Estamos apenas ensinando que bater é certo.

 CINCO

 Você sente necessidade de defender a educação que recebeu de seus pais.

 Claro que amamos nossos pais. Nunca desejamos questionar suas expressões de amor e disciplina. Queremos acreditar que tudo o que eles fizeram foi para o nosso bem. E talvez isso seja verdade. Mas isso não significa que nossos pais tinham o conhecimento que temos à disposição hoje. Eles batiam antes que a sociedade estudasse os efeitos das palmadas. Eles fizeram o melhor que podiam com aquilo que sabiam. Como pais que têm mais conhecimento, não poderíamos fazer melhor?

 “Pais que utilizam a palmada como principal forma de disciplina não aprendem a conhecer os seus filhos. Isso os impede de criar alternativas melhores, que poderiam ajuda-los a conhecer os próprios filhos e construir um relacionamento melhor com eles.” (AskDrSears.com)

 SEIS

 Você pensa que incutir medo no seu filho é uma coisa boa.

 Pais que usam a palmada o fazem para corrigir o comportamento. Eles acreditam que, se a criança os teme, o medo deterá o mau comportamento. De fato, o medo não para o mau comportamento. Ele encoraja a dissimulação. As crianças aprendem como mentir e esconder informações dos seus pais por medo do castigo físico. Você precisa de respeito para receber honestidade. Medo não possibilita o respeito. Na verdade ele o dificulta. Você precisa do respeito para conseguir a honestidade. É muito melhor para o desenvolvimento de uma criança e para o seu comportamento que haja a segurança de que ela pode vir aos seus pais por qualquer motivo, bom ou ruim. Elas precisam ter o respeito mútuo e a confiança para corrigir o comportamento com palavras, não com violência.

 SETE

 Você não considera isso um abuso.

 Se você perguntar a 20 pais o que eles consideram abuso, você obterá 20 respostas diferentes. Alguns dirão que palmadas no bumbum são abuso, outros dirão que dar cintadas é abuso. Por definição, abuso é toda forma de infringir dor física ou emocional. Ver como cuidar dos filhos pode incluir dor física e emocional em diferentes aspectos pode levar a várias interpretações. A questão não é se o que você está fazendo no papel de pai é abuso neste momento. A questão é: você está se encaminhando para o abuso? Se você bate no seu filho, a resposta é sim. Todas as formas de violência física caminham numa escalada. Talvez você comece com um tapa na fralda, mas se você continuar a faze-lo, o nível de violência aumentará. Eventualmente, você deixará o caminho da disciplina, para entrar no beco do abuso.

 “O perigo de começar a usar castigo corporal, em primeiro lugar, é que você talvez sinta a necessidade de usar armas mais poderosas: sua mão se torna um punho; a chibata se torna um cinto; o jornal dobrado se torna uma colher de pau, e aquilo que começou com uma aparência inocente escala até o abuso infantil.” (AskDrSears.com)

 OITO

 Você acha que é bíblico.

 Você não poderia estar mais errado. Os judaico-cristãos usam o provérbio “Poupai a vara, estragai a criança” para justificar a palmada. O problema é que este não é um versículo da Bíblia, além de ser profundamente mal interpretado. As palavras vara e estragar não tinham o mesmo significado que têm em nossa sociedade moderna. O termo “vara”, usado na bíblia, refere-se ao cajado usado pelo pastor para guiar o rebanho de ovelhas. Elas eram usadas como ferramenta para guiar o rebanho e mantê-lo afastado de predadores. Em outras palavras, o pastor não batia nas ovelhas. Ele as protegia. Hoje, quando pensamos no termo “estragar”, pensamos numa criança que consegue tudo o que deseja. Elas são ingratas ou rebeldes. Na Bíblia, o termo significava se tornar mal ou apodrecer. Em resumo, essa referência bíblica não significa que, para fazer com seu filho se torne grato e obediente, você precisa bater nele. Mas significa que para fazê-lo crescer e prosperar, você deve protegê-lo e guiá-lo.

 NOVE

 Você pensa que isso faz de você um pai ou mãe melhor.

Uma criança que apanha não é mais obediente, é mais mentirosa. Ela não aprende uma lição, ela aprende a bater. Ela se torna mais submissa, ela se torna mais agressiva. No curto prazo, seu filho não é afetado pela palmada, ele apenas se torna pior. Isso faria de você um pai ou mãe pior, não melhor.

 “Sempre pensei que um dos objetivos da maternidade/paternidade é preencher um arquivo de memórias dos seus filhos com centenas, talvez milhares, de cenas prazerosas. É impressionante como as memórias desagradáveis das palmadas podem bloquear as memórias positivas.”(AskDrSears.com)

FONTE: http://www.politilady.com/politimom/9-reasons-why-you-defend-spanking-your-kids

TRADUÇÃO: Taicy Ávila (Pedagoga, Psicopedagoga, Mestre em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento, e mamãe do Cauã)

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