Os perigos de deixar chorar

A formação das conexões entre neurônios na infância é danificada em várias situações.

Um bebê a termo (40-42 semanas) tem apenas 25% do seu cérebro desenvolvido. Ao final do primeiro ano seu cérebro será cerca de três vezes maior que ao nascimento (e esse crescimento rápido é um sinal de inteligência, Gale et al., 2006). 
Considerando que a formação das redes neuroniais ocorre muito rapidamente em seu cérebro nesse primeiro ano, quando o bebê está muito estressado, há possibilidade de dano das sinapses. O hormônio cortisol é liberado em situações de estresse, e é sabido que seu excesso mata neurônios (Blunt et al., 2003). E ainda, esse dano pode não ser percebido imediatamente (Thomas et al. 2007).

Quais deficiências podem aparecer anos depois por causa desse tipo experiências estressantes, principalmente se forem habituais?
O problema que estresses frequentes (como ser deixado chorando, ser ignorado habitualmente) pode provocar é chamado de ‘reatividade desordenada ao estresse’. Essa reatividade significa que uma resposta ao estresse é estabelecida como um todo no cérebro (Bremmer et al, 1998) e também no corpo por meio do nervo vago, um nervo que afeta o funcionamento em múltiplos sistemas (por ex. digestão).

Então, o bebê estressado frequentemente reage a situações corriqueiras com mais ansiedade, mais medo, mais angústia, já que foi habituado a ter essa resposta ao estresse.
Então, uma angústia prolongada nos primeiros anos de vida (por não ter tido atenção, necessidades emocionais respondidas) pode resultar em um funcionamento prejudicado do nervo vago, e isso está relacionado a desordens como a síndrome do intestino irritável (Stam et al, 1997).

Veja mais sobre como estresse vivido nos primeiros anos de vida é tóxico para a saúde durante a vida no relatório recente de Harvard, “The Foundations of Lifelong Health are Built in Early Childhood”- http://developingchild.harvard.edu/index.php/resources/reports_and_working_papers/foundations-of-lifelong-health/

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