10 alternativas para substituir o castigo

Confira este ótimo texto com 10 alternativas práticas para substituir o castigo! Excelente domingo a todos!

10 alternativas para substituir o castigo
Traduzido por Jan Andrade

“Dr. Laura – Você pode escrever sobre transição para disciplina positiva para crianças maiores? Se eu começar a educação empática com meus filhos de 12 e 9 anos, ainda dá certo? Como ‘removo’ a punição, de repente? Meu filho de 9 anos sempre diz: ‘Ah, agora imagino que estou de castigo.’ Como mudo a forma dele pensar?”

A transição para a disciplina positiva pode ser difícil. Seu filho já aprendeu a ver o mundo por meio de certas lentes. Ele sabe que precisa se “comportar” ou ele será punido, perdendo um privilégio ou sendo colocado de castigo. Claro, você prefere que ele escolha fazer a coisa certa porque ele quer ter um impacto positivo no mundo, não porque está com medo de ser pego e punido. Mas como você vai ensinar as lições que ele precisa aprender, se você não usar mais a punição para motivá-lo?

Deixar seu filho de castigo, retirar privilégios, puni-lo com tarefas extras – todas essas abordagens destinam-se a “ensinar uma lição”. Mas pesquisas mostram que crianças ficam preocupadas com a injustiça da punição, em vez de sentir remorso pelo que fizeram de errado. As lições que você quer ensinar, eu presumo, são:
· As ações dele tem um impacto no mundo.
· Ele pode sempre escolher as próprias ações e é responsável por elas.
· Todos cometem erros. Quando cometemos um erro, é nosso trabalho consertar as coisas. Arrumar bagunças é geralmente mais difícil do que fazer uma escolha mais responsável, para começar.
· Refletir sobre nossas ações e o impacto delas no mundo nos ajuda a fazer uma escolha melhor da próxima vez.
· É preciso coragem para fazer a coisa certa. Quando fazemos escolhas ponderadas e responsáveis, tornamo-nos o tipo de pessoa que admiramos, e nos sentimos melhor.

Certo? Aqui há sugestões de como fazer:

1. Primeiro afaste-se da raiva e aproxime-se da empatia. Uma vez que seu filho sabe que você está ao lado dele, ele se sente seguro para se aliar a você. Sem se sentir seguro, o coração do seu filho estará endurecido – porque ele espera julgamento e punição – e você não tem influência positiva nenhuma. Então, apenas diga a ele que você precisa de um tempo para pensar, acalme-se antes de falar sobre o que aconteceu. (Para mais sobre o manejo da raiva) em inglês: http://goo.gl/WBnSQu

2. Comece com conexão. Crianças de qualquer idade, incluindo adolescentes, ficam mais abertas para serem guiadas quando existe essa conexão. Se seu filho está preocupado se você vai ficar chateado com ele, ele irá mudar para o estado “lute, corra ou paralize” e o aprendizado não irá acontecer. Ele também estará mais propenso a mentir. A única maneira de “ensinar uma lição” de verdade é criar uma conversa segura. Para fazer isso, lembre-se que seu filho tem uma razão para fazer o que fez. Você pode considerar que a razão não é boa, mas para ele é. Se você não descobrir a razão, não pode prevenir que aconteça novamente.

3. Diga ao seu filho que quer ouvir o que ele pensa sobre o que aconteceu. E, então, deixe-o falar. Reflita para explicar (e demonstrar) sua compreensão:
“Entendo… então os garotos queriam muito jogar basquete, e foi na mesma hora reservada para estudar para a prova? Essa é uma escolha difícil.”
“Nossa! Você e sua irmã estavam furiosos um com o outro… Você ficou muito chateado quando ela… Eu também ficaria chateada, se alguém dissesse isso para mim… E você realmente queria devolver, hein?”

4. Mantenha o foco no vínculo com o seu filho e em ver a situação sob o ponto de vista dele. Isso ajuda a vocês dois entenderem as motivações de seu filho. E dá a oportunidade de trabalhar o sentimento ou a necessidade que não foi atendida e que o levou àquele comportamento. Crianças sempre sabem qual seria a escolha certa, mas alguma coisa atrapalhou. O que atrapalhou? Como ele pode (com a sua ajuda) direcionar isso para que possa fazer uma escolha melhor na próxima vez?
Por exemplo, vamos dizer que ele escolheu jogar basquete com os amigos e não estudou para a prova e então tirou uma nota ruim. Você pode descobrir enquanto conversa com ele, que ele estava muito ansioso para ser aceito pelos garotos e sentiu que precisava participar do jogo para fazer parte da turma. Essa ansiedade social pode ser algo que ele precisa da sua ajuda para entender e resolver, e uma vez que ele o faz, estará muito mais apto a focar nos estudos.
Mas, apenas punindo o comportamento dele, você nunca saberia disso. Você teria perdido a oportunidade de ajudá-lo a falar sobre o que sente e encontrar uma boa solução para a próxima vez. Na verdade, como a punição não o ajuda a resolver conflitos, ele pode muito bem fazer a mesma coisa na próxima vez, mas inventar alguma história para despistar.

5. Faça perguntas abertas. Mantenha a conversa o mais segura e clara possível. Se você pode dar risada, você irá neutralizar a tensão e fortalecer o vínculo, então lembre-se de que essa é uma experiência enriquecedora para vocês dois e use o seu senso de humor.
· Ele estava consciente de que estava fazendo uma escolha?
· O que o levou a fazer aquela escolha?
· O que ele pensa sobre isso agora?
· Houve uma consequência por ter feito aquela escolha?
· Ele faria novamente?
· Por que ou por que não?
· Como ele poderia ajudar a si mesmo a escolher de forma diferente da próxima vez?

6. Ensine seu filho a consertar aquilo que ele “quebrou”. Mas explore e aprenda com ele, em vez de presumir que você sabe o que deveria acontecer. Uma vez que ele não está sendo controlado por aquela necessidade não atendida ou sentimento negativo e vê o resultado de suas ações (falhou na prova, machucou a irmã, quebrou a janela, o que quer que seja), ele se sente arrependido. Isto apenas depois dos sentimentos ou necessidades terem sido trabalhados, claro. Uma vez que ele não está sendo conduzido por esses sentimentos ou necessidades, a “bondade” está livre para fluir. Ele quer fazer as coisas de forma melhor, naturalmente.
Então você pergunta a ele:
· O que você pode fazer agora para tornar as coisas melhores?
· O que aconteceu mostrou algo que você gostaria de mudar em sua vida, que é maior do que esse incidente isolado?
· Como posso ajudá-lo?

7. Resista ao impulso de punir. Em vez disso, fique calmo e escute. Isto não se trata de punir, tirar privilégios e falar sobre coisas ruins que vão acontecer com ele, agora. É para que seu filho perceba que o que ele faz tem um impacto, e seja responsável para que esse impacto seja positivo e não negativo. Se você pode evitar bancar a durona, seu filho pode, na realidade, se responsabilizar, porque ele não está na defensiva.
No exemplo da nota ruim na prova, talvez ele possa fazer um gráfico para os estudos e você se sente com ele todas as noites e pedir exercícios extras para a professora etc. Isso é punição? Não, não é, se essa foi a solução que vocês encontraram juntos. Na verdade, se você trabalhar com ele e ajudá-lo a seguir adiante para conquistar seus objetivos, isso é bastante empoderador e pode transformar a capacidade dele de ir bem na escola. Claro, ele pode não saber que isso é o que ele precisa para ter sucesso. Às vezes, você vai fazer a escolha de dar a ele esse apoio, não como punição, mas porque seu trabalho como pai/mãe é proporcionar a estrutura para ajudá-lo a ter sucesso.
Se a escolha errada foi machucar a irmã, então a reparação deve ser para ela. Todas as crianças têm sentimentos mistos pelos irmãos, mas isso quer dizer que afeição e companheirismo estão lá em algum lugar também e até mesmo o sentimento de proteção.

8. E se ele disser que nenhuma reparação é necessária; que ele não liga, que foi mal na prova e que a irmã mereceu? Ele ainda está na defensiva. Diga “Querido, eu entendo porque isso aconteceu e porque você fez essa escolha… mas isso não quer dizer que a sua escolha foi acertada… Você ainda deve estar bastante chateado para dizer isso… Eu sei que quando você não estiver tão nervoso vai sentir diferente… Vamos deixar isso de lado um pouco e conversar mais tarde.” Dê, a ele, a chance de se acalmar. Quando você voltar a conversar, comece com empatia. Isso é o que ajuda a curar aqueles sentimentos. E dê o exemplo se responsabilizando, talvez dizendo “Acho que tenho parte de culpa nisso… não percebi que você estava indo mal na escola, ou teria ajudado antes.”

9. Reconheça o seu poder. Você como adulto tem mais poder do que pensa em situações como essas. Seu filho depende da sua liderança, mesmo se parece que está resistindo a ela. Se ele machuca a irmã, você tem a oportunidade de falar sobre a óbvia rivalidade entre irmãos. Se ele foi mal na prova, você tem a oportunidade de reconsiderar todo o planejamento para os estudos da família. Quando nós damos aos nossos filhos apoio suficiente, geralmente eles superam nossas expectativas. Algumas crianças apenas precisam de mais apoio que outras.

10. Conte com um período de adaptação. Como toda transição, uma mudança de uma educação punitiva para uma educação empática vai incluir aprendizado tanto para você quanto para ele nesse novo território. Sem culpa. Todos nós fazemos o melhor que podemos como pais. Mas se você sempre usou a punição, seu filho estava obedecendo por medo. Uma vez que você para de punir, ele para de obedecer. Então você precisa fazer de sua maior prioridade algum trabalho de reparação no vínculo, para que ele QUEIRA cooperar com você e não queria decepcioná-la. Caso contrário, ela vai apenas seguir suas regras.

Mas e se ele não pode regular a si mesmo para parar de brigar com a irmã ou fazer a lição de casa? Aqui você paga o preço pelas punições anteriores – é provável que ele tenha mágoas guardadas que está direcionando o comportamento dele. Uma vez que você para de punir, as crianças se sentem mais seguras, então as emoções que eles costumavam esconder começam a aparecer – às vezes por meio de grosseria com os pais. A chave é manter a empatia e não tomar isso como pessoal. Lembre-o de que você fala com ele com respeito, e que você espera civilidade em resposta: “Você deve estar muito bravo comigo para falar desse jeito… O que está acontecendo, querido?“ Mantenha-se compassivo. Acolha os sentimentos ruins de seu filho. Quanto mais segurança você puder passar, mais cedo ele vai querer chorar e dividir o que realmente o está incomodando. Uma vez que esvazia a carga de emoções de todos esses sentimentos desconfortáveis que vem carregando, seu filho estará muito mais aberto para se conectar. E porque você manteve a compaixão, ele irá saber que você está ao seu lado, e vai QUERER cooperar, tenha seu filho três ou treze anos. Ele vai até mesmo começar a lhe agradecer pela paciência!
A parte difícil é mudar os seus hábitos, mas felizmente você verá mudanças positivas muito rápido, então terá incentivo para continuar. Não se preocupe em mudar a mentalidade do seu filho. Se você mudar, ele irá mudar.

Por Dr. Laura Markham, fundadora do AhaParenting.com e autora do livro “Peaceful Parent, Happy Kids: How To Stop Yelling and Start Connecting”
Link para o texto original: http://goo.gl/zSXwfb

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