Deixar a criança de castigo, em isolamento forçado, com privação de atenção/afeto é uma forma de condicionamento negativo (punição). E punição, além de não gerar aprendizado, prejudica o vínculo entre pais e filhos e o desenvolvimento psíquico e moral da criança.

“Alfie Kohn, autor de Unconditional Parenting, apresenta alguns problemas da punição:

* Mau comportamento e punição não são opostos que se cancelam, mas sim pólos que se reforçam;
* Punição não leva a criança a refletir sobre o que fez, por que o fez ou sobre o que deveria ter feito.

E continua, explicando porque não fazemos diferente:

– Tratamos nossos filhos dessa forma condicional pois, em primeiro lugar, fomos tratados assim quando crianças. É preciso esforço, disciplina e coragem para refletir sobre o que deve ser mantido e o que não serve mais. Isso é difícil pois demanda uma capacidade de criticar o que nossos pais fizeram conosco, ao mesmo tempo em que mantemos uma atitude amorosa para com eles;

– É mais fácil usar táticas para controlar as crianças, pois trabalhar em outros tipos de soluções requer mais de nós e, pior, muitas vezes nem sequer sabemos o que pode ser feito diferente. Além disso, punição e recompensa funcionam no curto prazo. Tal como em outros casos, os efeitos cumulativos do uso dessa estratégia não aparecem imediatamente, mas sim no longo prazo, quando já pode ser tarde demais.

– Temos medo da crítica de outros adultos. Nossa sociedade tende a aceitar mais um pai que controla e pune do que aquele que tenta se conectar.

Segundo Alfie Kohn, não existe uma receita, um passo a passo, um manual de instruções dizendo o que fazer e falar em cada situação. Ele oferece 13 princípios para que encontremos nossa própria forma de educar nossos filhos.

Deixarei aqui os três primeiros, para que possamos iniciar um diálogo:

1- Reflita: reveja constantemente suas próprias ações, especialmente aquelas das quais não gosta. Não se acostume com elas, dizendo que são o melhor para seus filhos. Mas não se chicoteie. Pergunte frequentemente: “é possível que o que acabei de fazer tenha mais a ver com minhas necessidades, medos e a forma como fui criado do que com o que é melhor para meu filho?”

2- Reconsidere suas demandas: pode ser que o problema não seja a criança não querer atender sua demanda, mas sim a própria demanda. Antes de buscar soluções para conseguir que seu filho faça o que você quer, veja se o seu pedido faz sentido, especialmente para a faixa etária dele. (ex: crianças pequenas vão deixar cair comida da colher ao comerem sozinhas. É muito bom que elas tentem comer sozinhas desde cedo, mas não é adequado insistir que elas não derramem a comida)

3- Mantenha o foco no longo prazo: tente se lembrar do que você quer para seus filhos. Se quer que eles cresçam e se tornem adultos intelectualmente curiosos, éticos e contentes com eles mesmos, usar estratégias como punição/castigo ou chantagem não vai ajudar.

Boas reflexões!”

(via Marcelo Michelsohn, psicólogo, com foco em desenvolvimento infantil – http://conexaopaisefilhos.com/ )

#crescersemviolencia

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