Deixar o bebê “chorar até dormir” é a primeira experiência de abuso de muitas crianças

1476045_556466901104523_448391348_nTraduzido por Jan Andrade
Revisado por Viviane de Medeiros

9 de janeiro 2012 Por MONICA CASSANI

Estou compartilhando um artigo da “Psychology Today” sobre o quão importante é cuidar de um bebê. Estou, também, compartilhando isso para mostrar que nós causamos danos em nossas crianças desde cedo, na primeira infância, enquanto que dizemos a nós mesmos que os danos causados a bebês inocentes são para o bem deles. É um ótimo exemplo, porque fazemos isso com crianças e com adultos também, aliás, o fazemos durante todo o ciclo da vida humana, e de muitas outras formas.
Já falei muitas vezes que nossa cultura é a do abuso. Tanto que, muitas vezes, nem estamos conscientes do prejuízo que está sendo causado. Essa é uma das muitas razões porque “doenças mentais” são incrivelmente difíceis de lidar.
Boas pessoas maltratam suas crianças todos os dias, porque foram assim instruídas por adultos a quem dependiam. Não é intencional, mas a educação pode fazer uma grande diferença!

“Deixar o bebê “chorar até dormir” é uma ideia que está circulando desde pelo menos 1880, quando o campo da medicina estava uma algazarra sobre germes e transmissão de infecções, que então levou à noção de que bebês não deveriam ser tocados com frequência (Veja Blum, 2002, para obter uma ótima análise desse período e de atitudes sobre educação de filhos).
Com a neurociência, pudemos confirmar o que nossos ancestrais já tomavam por certo – que deixar crianças estressadas é uma prática que pode danificá-las, bem como suas capacidades de relacionamento, e de muitas formas, em longo prazo. Sabemos que deixar crianças chorando é uma boa maneira de fazer pessoas menos inteligentes e saudáveis, e mais ansiosas, não cooperativas e alienadas, que podem passar as mesmas coisas ou até coisas piores para a próxima geração.

O ponto de vista cético behaviorista, por sua vez, vê o bebê como um intruso na vida dos pais, uma intrusão que deve ser controlada de várias maneiras, para, assim, os adultos viverem a vida deles sem serem muito incomodados. Talvez possamos desculpar esta atitude e tamanha ignorância, porque, naquele tempo, famílias estendidas estavam sendo divididas, e os novos pais tinham que descobrir como lidar com bebês por conta própria, uma condição não natural para a humanidade – que tinha até então cuidado das crianças em famílias estendidas. Ora, os pais sempre dividiram os cuidados com vários parentes adultos.
O fato é que, cuidadores habituados a responder às necessidades do bebê antes de ele ficar aflito, prevenindo o choro, terão, mais provavelmente, crianças independentes (e.g., Stein & Newcomb, 1994). Cuidado que tranquiliza é melhor desde o início. Isso porque, uma vez que padrões são estabelecidos, é muito difícil mudá-los.

Quando o bebê está muito angustiado, o hormônio tóxico cortisol é liberado. É um assassino de neurônios. Panksepp, 1998 leia o restante (em inglês).”

É isso mesmo, neurônios são mortos. Isso é dano cerebral!
Na verdade, tenho lembranças nítidas de estar gritando no meu berço. Perguntei a minha mãe sobre isso há alguns anos atrás, e ela confirmou que eles usaram esse método. É uma coisa horrível e brutal de se fazer, o que, aliás, descobri como óbvio há muitos anos, bem antes de estudar esse tipo de coisa. Minha mãe, agora, compreende que foi um erro… Ela era nova e estava fazendo o que disseram para ela. Imagino que meu pai a estava apoiando nisso também. E, como o artigo acima sugere, as pessoas estavam tentando lidar com a situação sem a família estendida e, realmente, não sabiam como administrar.
Há razões para calmamente e racionalmente explicar este tipo de abuso e não culpar pais jovens, que muitas vezes estão lutando contra todo tipo de dificuldades. Se forem dados às pessoas as habilidades e o apoio que precisam, muitas vão optar por uma parentagem saudável. Muitas vezes, os pais, simplesmente, não têm os recursos, interno/emocional e/ou externo/financeiro para serem os melhores pais. Isso não faz deles más pessoas.

Devemos criar uma sociedade na qual esse tipo de necessidade básica é atendida. Dessa forma, toda crianças pode ter o que precisa para ser saudável no corpo, na mente e na alma.
O fato é que, todos nós, seres humanos, às vezes causamos danos uns aos outros de forma não intencional. Ser corajoso o suficiente para perceber que nós mesmos fazemos isso, pode também nos ajudar a agir com gentileza diante daqueles que ainda não perceberam que também agem assim.
Se quisermos curar nossa sociedade doente e educar crianças saudáveis, que vão crescer e se tornar adultos igualmente saudáveis, deveremos, então, começar fazendo nosso próprio inventário.

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