“Antes de corrigir, conecte-se com seu filho.” (Kelly Bartlett)

É importante estar conectado com seu filho antes de corrigí-lo: veja nesse artigo como o vínculo  conduz nosso estilo de disciplina

 http://attachmentparenting.org/blog/2013/02/27/connection-before-correction-how-attachment-leads-our-discipline-style/

Por: Kelly Bartlett – Tradução de Danielle Romais, revisão Andréia Mortensen

Na minha visão de educação, o objetivo final não é a obediência. Veja, eu não disse que aqui em casa a obediência não existe. Estou afirmando que esperar que nossos filhos obedeçam não é nosso objetivo final em sua criação.

Porém, eu entendo a importância da obediência, e eu entendo porque pais esperam isso. É legal! E algumas vezes, necessário. Mandamos nossos filhos fazer algo porque queremos que eles estejam seguros e saudáveis.

Mas, algumas regras não são tão urgentes: “É hora de calçar os sapatos.” “Por favor, limpe o seu prato.” “Jogue o seu lixo fora.” Enquanto que outras são: “PARE!” (quando a criança corre na rua).

Como temos muitas regras todos os dias, obediência realmente é um bônus bem vindo – e necessário.

Porém, é importante ter em mente que crianças com menos de 7 anos de idade estão passando por um período crucial de desenvolvimento de sua autonomia e desejo… certamente os anos mais difíceis para se esperar obediência. Isso não quer dizer que eu não tenha certas expectativas para meus filhos. Eu tenho.

  • Espero que eles tenham sentimentos. Meus desejos podem ou não ser os mesmos que os deles. E eles terão sentimentos a respeito disso.
  • Eu espero que eles expressem seus sentimentos; que sintam-se livres para se comunicarem comigo em um nível que esteja de acordo com seu nível de desenvolvimento.
  • Eu espero que eles ajudem a cuidar deles mesmos.
  • Eu espero que eles contribuam com a família e a casa.
  • Espero que sejam autônomos para fazerem coisas por si próprios.
  • Espero que eles tomem iniciativa; que tenham idéias próprias e que queiram cumpri-las.
  • Eu espero que eles não gostem de tudo que precisa ser feito. Eu não gosto. Ninguém gosta.

Quando eu não foco no comportamento em si e ao invés busco por compreensão, num relacionamento com vínculo afetivo com meus filhos, ao invés de esperar simples obediência, meus filhos naturalmente são levados a atender meu direcionamento. Temos um relacionamento em que, quando eu falo: “PARE!”ou “NÃO!” em alguma situação de perigo, ele imediatamente param. Eles não se comportam por causa de uma obediência condicionada ou porque eu ativamente os ensinei a obedecer como um de meus objetivos na criação deles. Eles me escutam por causa do status de nosso relacionamento. Nossa conexão, junto com meu tom de voz (que eles reconhecem facilmente quando é uma situação de urgência e medo), cria uma distinção claríssima entre esse tipo de comunicação e todas as nossas outras formas diárias de interacões. Não há necessidade de palmadas, isolamentos, castigos, punições ou exclamações vexatórias do tipo: “Como você pode fazer isso?” e “Vá para o seu quarto e fique lá!” É por causa da relação conectada que eu tenho com meus filhos que quando eu digo “Não” com autoridade, eu não preciso dizer mais nada.

Então, apesar de que nem eu nem o meu companheiro esperamos obediência de nossos filhos, nós a temos. Porquê? Porque isso acontece tão naturalmente e de bom grado?

 

  • Pois reconhecemos os objetivos de nossos filhos. Sabemos que, como crianças, eles têm outros objetivos e outras prioridades diferentes das que nós, pais, temos.
  • Pois nós valorizamos seus sentimentos. E provamos isso ao ouví-los e aceitá-los diariamente.
  • Pois nos comunicamos com respeito e empatia.
  • Pois almejamos a compreensão… seus sentimentos, seus objetivos, seus interesses e desinteresses. Temos como prioridade conhecer o que faz nossos filhos vibrar.
  • Pois valorizamos suas exclusividades. A maneira como eles não são como qualquer outra criança.
  • Pois nosso objetivo é estar atento para seus níveis de desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.

Tudo isso gera um relacionamento próximo, seguro e ligado. Eu e meu marido trocamos o objetivo da obediência por ter uma relação de conexão e confiança com nossos filhos. Porque se há conexão e confiança na relação pai-filho, adivinha o que vem naturalmente? Obediência.Crianças são naturalmente levadas a “agir corretamente” com aqueles com quem estão emocionalmente conectados.

Agora me pergunte, nossos filhos já desobedeceram alguma vez? É claro. Mas nós não vemos isso dessa forma. Nós vemos todos aqueles momentos em que eles “não nos ouvem” com a compreensão de quem eles são e o que eles precisam. Não é pessoal, eles não nos desafiam de propósito. É sim uma questão de desenvolvimento. Eu penso que se mudo minha perspectiva de “Você precisa fazer o que eu digo!” para “Como podemos resolver esse problema para satisfazer as necessidades de todos?”, minhas regras/direcionamentos são cumpridos.

Quando meu filho “não me ouve” eu analiso a situação do seguinte modo:

  • Uma criança tendo fortes emoções, totalmente humanas e aceitáveis. Crianças precisam de validação e aceitação.
  • Cérebro em desenvolvimento, imaturo. Crianças precisam de tempo para desenvolver as conexões cerebrais necessárias para obter controle próprio e disciplina.
  • Um exemplo de uma criança exibindo autonomia e iniciativa. Isso é apropriado ao desenvolvimento. Crianças precisam ser autônomas.
  • Uma demonstração de distância em nosso relacionamento. Crianças precisam ter uma sensação de importância e pertencimento.

Então, supra suas necessidades e terá cooperação.

Concluíndo, ao invés de esperar obediência de meus filhos, espero comportamentos apropriados dentro de sua fase de desenvolvimento. Eu entendo as capacidades sociais, emocionais e cognitivas de meus filhos, e trabalho para manter uma relação com eles dentro desse entendimento. Com uma criação não estritamente baseada na obediência, mas numa combinação de relação conectada e autoridade, crianças serão mais cooperativas por opção.

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